quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Praticas de leitura e escrita no ciberespaço





Alisson Pepato, Raphael Beck


Bom dia, queridos leitores do blog! Eu e meu companheiro de escrita Raphael Beck decidimos escrever uma simples resenha sobre o capitulo 3 do livro ''Novas Tecnologias e Ensino de Linguas'', escrito pela competente e respeitada Aparecida de Fatima Perez. Espero que gostem. 
Não podemos ignorar a importância das novas tecnologias no dia a dia das pessoas no contexto de ensino e aprendizagem da língua. Na verdade, não só no ensino e aprendizagem da lingua, mas em várias outras esferas de nossa vida. A autora dá o exemplo do mercado de trabalho, que passou a exigir pessoas com conhecimento de informatica, que precisam ser qualificados para isso. Em seguida, vemos que muitas também são as novidades na comunicação online, que podem transmitir o tom de oralidade e emoção na interação via internet. Logo depois, a autora também mostra a importância do hipertexto, pois possibilita que o leitor ''viaje'' para outro lugar da web, expandindo sua leitura. Sendo assim, a leitura diz que ''a leitura nos meios virtuais é uma realidade incontestável, que precisa fazer parte do contexto escolar''. Porém, Perez deixa claro que a escola precisa saber como preparar os alunos e também os professores para que lidem com esses novos contextos de leitura no espaço virtual - o que eu concordo plenamente. Muitos professores nem mesmo se atualizam a respeito das novas tecnologias, os incapacitando de ensinar aos alunos como lidar com esses novos gêneros.
Mais adiante no texto, Perez diz que a escrita no ambiente virtual possui convenções diferentes da escrita no papel. Online, os textos geralmente possuem caracteristicas proprias, por exemplo imagens e sons - emoticons e smileys, e letra maiscula: Caracteristicas que indicam emoções.



Chartier é citado nesse texto, pois ele reflete sobre as mudanças nas estruturas fundamentais do suporte de texto, isto é, a forma em que o conteúdo é veiculado. Se antes as revoluções na escrita não alteravam a forma de veiculação, hoje em dia não acontece assim. As necessidades de comunicação moldam as novas formas de comunicação, surgindo assim blogs, padlets e wikispaces, adaptando-se ao que surge em termos de escrita e leitura no ciberespaço.
Peres ainda aborda as diferenças entre a leitura de um texto físico e um texto virtual, que facilmente observamos com relação a paginação e manuseio do material, dessa forma, aproximando-o muito mais do volumen

 da antiguidade do que do codex
 que vigora nos livros impressos da atualidade. Afinal, a leitura virtual é vertical.
O hipertexto e o hiperlink são outros fatores que, apesar de marcarem muito essa efemeridade e velocidade da leitura online, já existiam em revistas e jornais (é só pensar nas notas de rodapé, cabeçalhos e aquelas tiras em outros cantos da página em várias revistas, com explicações a parte da matéria principal). Isso pode tanto complementar seu conhecimento acerca do assunto como dispersá-lo do texto que ele escolheu inicialmente a ler. Essa velocidade e efemeridade interfere mais do que nunca na história da escrita na criação e destruição de velhos gêneros textuais em uma velocidade muito maior do que após a simples invenção da imprensa (comparada com a internet, a imprensa fica bem pra trás).
Além disso, podemos ver marcas da oralidade na escrita, visto que a escrita em chats e até mesmo em blogs é de cunho informal na maioria das vezes, o que afeta a língua em seu aspecto interno, e o fato de qualquer pessoa poder postar qualquer coisa online mostra que, o que antigamente era canônico, apenas alguns podiam escrever e serem lidos, hoje configura uma mudança no aspecto externo da língua, não é mesmo?
A autora cita Dolz e Schnewly para concluir seu texto, abordando três maneiras de se abordar gêneros textuais na escola: ensinar o gênero com meio e fim em si mesmo, isto é, abordando apenas sua estrutura; ensiná-lo com uso concreto em situações escolares; ensiná-lo com uso concreto em situações autênticas. Essa última, para a autora, é a melhor para se lidar com as novas tecnologias, visto que levar o aluno ao uso concreto dos gêneros nos ambientes virtuais não é abdicar dos livros impressos nem torna-lo um expert em informática (afinal, ele provavelmente já é um) mas, sim, ensiná-lo como operar em diferentes meios e modos de interação comunicativa por meio da escrita e da leitura, independente do meio semiótico que se utilize para se expressar a mensagem que se quer passar. Letrar um aluno é capacitá-lo a ler diferentes meios, com diferentes aspectos.

REFERÊNCIAS PERES, A. F. Práticas de leitura e de escrita no ciberespaço. In: GUIMARÃES, T. B.; PERES, A. F. Novas Tecnologias de Ensino de Línguas (Materna e Estrangeira). Maringá: EDUEM, 2014. CHARTIER, R. A ordem dos livros: leitores, autores e bibliotecas na EUropa entre os séculos XIV e XVIII. Brasília, DF: Editora Universidade de Brasília, 1994. DOLZ, J.; SCHNEWLY, B. Os gêneros escolares: das práticas de linguagem aos objetos de ensino. Revista Brasileira de Educação, Riode Janeiro, n. 11, p. 5-16, 1999.

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